Todo dia, mais de dois milhões de pessoas se reúnem. Quase o dia todo, em algum horário, há uma reunião começando em algum lugar bem perto de você. Não há mensalidades, orçamentos, nem prédios. A entrada é franca – desde que você admita sua fraqueza.

Em junho de 1935, Bill Wilson, um corretor que sofria de um incontrolável problema com bebidas, começou o primeiro grupo dos Alcoólicos Anônimos (AA) em Akron, Ohio, quando conheceu Robert Holbrook Smith, um cirurgião, um total estranho, e também alcoólatra. Hoje, existem mais de cem milhões de grupos de AA e reuniões em 150 países. Milhões e milhões encontram cura e significado como resultado dessas reuniões. Milhões e milhões encontram força para superar o que os havia tornado impotentes.

E para cada uma dessas pessoas, a cura começa com um passo simples: admitir que é impotente.

Por que este seria o ponto de partida? Afinal, o objetivo é obter poder e força sobre um mal que está tentando derrubá-lo. Então por que começar admitindo sua fraqueza?

À primeira vista, isso não faz sentido. É ilógico. Uma contradição. Um dos maiores paradoxos da vida. No entanto, essa aparente impossibilidade é o maior reservatório inexplorado de força dentro do coração humano. Estudos contemporâneos têm mostrado isso repetidas vezes. Existe força em reconhecer nossa fraqueza – admitir para nós mesmos que precisamos de ajuda, que não conseguimos algo sozinhos e que ainda temos um trabalho interior para fazer. E quando ocultamos nossa fraqueza, quando tentamos mantê-la escondida de nós mesmos, só aumentamos o problema.

Por mais de suas décadas, Randall Colvin, da Northheastern University, conduziu um estudo que ressalta o quanto é importante a pessoa ter um senso se sua própria fraqueza. Ele e sua equipe rastrearam 130 pessoas desde a creche, verificando com elas vários pontos até seus vinte anos. Eles monitoraram coisas como a confiabilidade do sujeito e quão bem lidava com as frustrações da vida. Os voluntários forneceram suas próprias descrições, e seus amigos contribuíram com avaliações também.

Os pesquisadores descobriram que a personalidade de alguns sujeitos não se alinhava bem com sua autoimagem. Alguns passaram momentos difíceis admitindo que não tinham tudo junto. Em outras palavras, que eles eram na realidade e como percebiam a si mesmos estava fora de alinhamento. E quanto esse era o caso, surgia um retrato infeliz.

“Essas pessoas tendem a carecer de habilidades sociais, e parecem ansiosas e melancólicas”, diz Colvin. “Elas são sensíveis a críticas e às vezes mantêm os outros a distância sem perceber – talvez para que não recebam um retorno negativo que poderia alterar sua autopercepção. Elas estão tentando esconder suas falhas de si mesmo.”

Embora esses indivíduos pudessem estar se iludindo, não estavam enganando seus amigos. Até seus companheiros os descreviam como condescendentes, de alguma forma. E quando amigos os viam através da fachada, os sujeitos se empenhavam em mais distorção e negação na tentativa de manter uma visão positiva de si mesmos. Seus amigos não os viam como autênticos ou genuínos. Eles os viam como pessoas que não estavam confortáveis em sua própria pele.

As pessoas querem se sentir bem acerca de si mesmas. Querem se sentir seguras e fortes. Mas por dentro, mesmo quando não estão dispostas a admitir, estão quebradas. Eles se sentem desesperadamente inseguros. Em outras palavras, ainda não admitiram suas fraquezas.

Tudo isso sugere que sustentar artificialmente nossa autoestima não admitindo nossa fraqueza, pode fornecer um estímulo temporário, mas em longo prazo, agir assim atrofia nosso bem estar social e pessoal. Em suma, não admitir nossa fraqueza nos enfraquece.

Do livro:  Você é mais forte do que pensa – Les Parrott