Então, quase sem ser percebida, a crise chegou. Os lucros diminuíram substencialmente, a equipe de gestão, antes estável, foi substituída, e houve demissões. A qualidade dos produtos continuava alta – era considerada a melhor do setor -, mas ninguém queria uma calculadora Facit. As pessoas queriam calculadoras de outras empresas.

Em poucos anos, a Facit deixou de ser uma estrela em destaque para quase ir à falência, forçando seus gestores a vender os bens remanescentes para um concorrente.

Acontece que, por mais que a Facit continuasse a produzir calculadoras de ótima qualidade, elas eram mecânicas. Nos anos 1960, os tempos eram bons para fabricantes desses produtos. As grandes realizações da empresa convenceram seus gestores de que estavam no caminho certo e sabiam o que estavam fazendo. Mas, nos anos 1970, fabricantes japoneses começaram a produzir calculadoras eletrônicas em massa. Os diretores da Facit descartaram começar a produzir as próprias calculadoras eletrônicas, pois consideram a tecnologia como uma distração para o negócio de calculadoras mecânicas. Porém, apesar da alta qualidade, seus recursos não se comparavam aos das eletrônicas.

O sucesso nos blinda e reforça o que nos tornou bem-sucedidos. Apegamo-nos ao que sabemos e fazemos bem, ecoando o clichê: “Se não está quebrado, não conserte”. De fato, pesquisas econômicas e psicológicas mostram de maneira recorrente que as pessoas preferem o status quo. Permanecer no mesmo emprego, colocar a equipe em piloto automático ou explorar um mercado bem-sucedido pode dar certo no curto prazo. Quando tudo isso funciona muito bem, como aconteceu com a Facit, é ainda mais difícil abrir mão.

O problema, como essa empresa sueca infelizmente aprendeu, é assim que o mundo sempre se move, mesmo quando estamos parados, complacentes. Recursos antes valiosos – uma habilidade requisitada, uma equipe de alta performance, um produto único e a melhor calculadora mecânica – podem se tornar inúteis muito rapidamente.