Antes de me casar,

eu tinha 6 teorias sobre como criar filhos.

Agora tenho 6 filhos e nenhuma teoria.

John Wilmot

 – Pai – perguntou recentemente meu filho de seis anos -, o que você vai fazer quando for a sua vez de se apresentar à nossa turma no dia de visita dos pais? –  Ele ficou parado na frente da minha escrivaninha no meu escritório em casa.

 O que os outros pais têm feito? – perguntei, olhando por cima do meu laptop onde eu respondia alguns e-mails.

– O pai do Anthony deixou que colocássemos o capacete e a jaqueta de bombeiro dele – falou ele, entusiasmado. – Era pesada e cheirava à fumaça! E sabe de uma coisa, pai?

– O que, John?

–  O pai de Anthony resgatar pessoas de prédio em chamas com um Machado enorme! Você já fez isso alguma vez, pai?

– Bem, não. Não fiz isso – respondi. –  E o que os outros pais têm feito quando visitam a sua turma?

– O pai do Audrey trabalha no museu do voo, e ele lançou um foguete enorme para nós no parquinho. Foi tão legal! Você deveria ter visto a fumaça!

– Sei.

– Ele subiu pra caramba, pai. Soltou faísca e tudo!

– Isso parece bem legal – murmurei.

– E a mãe do Nicki é médica – continuou John -, e ela engessou o braço do Nick bem ali na sala de aula, depois cortou o gesso, e todos nós pudemos segurá-lo: mas o Tayden se recusou porque achava nojento.

– Uau! – Disse eu, tentando compartilhar de seu entusiasmo.

– Então, o que é que você vai fazer pai? – perguntou John com toda sinceridade.

– Bem, vejamos, filho. O que você acha que devo fazer?

– A mamãe disse que você passa muito tempo trabalhando no computador e conversando no telefone.

– É isso que a mamãe diz? Bem, acho que ela está certo quanto a isso, mas não acho que eu deva fazer isso na frente de sua turma.

– Nãããão ! – John riu.

– Deixe-me falar com sua mãe sobre o dia de visita dos pais.

Johnny parecia satisfeito com a resposta e saiu para brincar no jardim, enquanto eu fui falar com Leslie na cozinha.

Não adiante caminhar

para algum lugar a fim

de pregar se a nossa

caminhada não for a

nossa pregação.

Francisco de Assis.

– O que devo fazer com a turma do John no dia da visita dos pais? John vai achar que eu sou o pai mais entediante do mundo, e ele se lembrará disso para sempre – disse, desesperado.

Leslie começou a rir.

– Estou falando sério.

– Eu sei. Só imaginei você mostrando à turma como você fala ao telefone e escreve no seu computador.

– Muito engraçado! – retruquei esperando – O John já me contou essa piada, e também não ri quando ele a contou.

Naquele momento John entrou na cozinha e disse:

– Ei pai, por que você não leva um cérebro para a aula?

Ele não estava brincando. Certa vez, John havia assistido uma das minhas palestras na universidade em que falei sobre o cérebro humano. Eu usei um órgão verdadeiro em um vidro com formol-deído, que eu havia pegado emprestado na faculdade de biologia. Evidentemente, John ficou fascinado, tanto quanto meus alunos.

E foi exatamente isso que fiz no dia de visita dos pais. Expliquei àquela turma de primeiro ano que eu sou um “médico” que trabalha com sentimentos, e que os sentimentos começam no cérebro. Mostrei-lhes um modelo colorido de madeira do cérebro e então perguntei se gostariam de ver um cérebro de verdade que eu trouxe numa caixa de papelão.

– Sim, mostre o cérebro! – alguns alunos gritaram.

– Crianças, sejam educadas agora – disse a professora do John com autoridade enquanto ficava de olho na caixa de papelão.

 As crianças estavam agora em estado de atenção total, e John estava com um sorriso enorme estampado em seu rosto. O entusiasmo daquela turma era palpável. Eu coloquei os meus óculos protetores e co0loque as luvas de látex antes de abrir a caixa. Todas as crianças estavam com os olhos arregalados, com a exceção de Tayden, que estava cobrindo os olhos com suas mãos e espiando de vez em quando.

Pensei os próximos minutos respondendo a muitas perguntas. Algumas eram de natureza prática (“O que são todas essas linhas no cérebro?”), outras expressavam curiosidade (“De quem é esse cérebro?”), e algumas eram até teológicas (“Ele não precisa do cérebro no céu?”).

Fui um sucesso total. As crianças ainda falam sobre esse dia quando vou buscar o John depois da aula. Ele também não se esqueceu. “Você se lembra quando do dia em que você levou o cérebro para a escola, pai?”, ele diz. “Foi maravilhoso!”.

Puxa, eu consegui. Meu filho teve orgulho de mim. E não é isso que todo pai ou mãe quer? Você não quer também que seu filho o veja da forma mais positiva possível?

Seu filho quer ser igual a você – isso é bom?

Naquela tarde, após apertar o cinto de segurança de John e trazê-lo de volta pra casa, Leslie e eu conversávamos o que poderíamos fazer para o jantar. Então, no intervalo do breve cochilo, John disse algo que derrete o coração de qualquer pai: “Pai, quero ser igual a você.”

A verdade é que, dizendo ou não, nossos filhos sentem isso. Crianças querem se tornar aquilo que seus pais são. E é exatamente por isso que é tão importante ser os pais que desejamos ser.

O comentário de John me deixou pensativo. Se ele queria se igual a mim, como me enxergava? Que qualidade ele via em mim que desejava imitir? De repente, fiquei mais consciente de mim mesmo do que havia sido durante anos. Senti como se tivesse 16 anos de idade novamente, olhando para o espelho e me perguntado o que as outras pessoas pensavam sobre mim. Metaforicamente, comecei a “me olhar dos pés à cabeça”. Eu era um home paciente? Meu filho podia olhar pra mim e dizer “Quero ser tão paciente quanto meu pai”? Eu era otimista? Eu certamente queria que meu filho fosse otimista. Eu era misericordioso, compassivo, consolador, gentil?

Você já teve esse tipo de pensamento? Quais características seu filho vê em você? Ou mais importante ainda: quais características seu filho não vê em você, mas você gostaria que ele visse?

Desde o dia em que John nasceu, eu me concentrei tanto naquilo que eu faria como pai – li todos esses livros sobre técnicas e estratégicas – que nem pensei muito sobre o tipo de pai que eu desejava ser.

Leslie teve o mesmo sentimento. E quanto mais conversávamos sobre isso, mais começamos a prestar atenção naquilo que achávamos de “características intencionais”. Cada um de nós fez uma lista com cinco qualidades que queríamos que nossos filhos reconhecessem em nós. E nossas listas eram bem diferentes. Além do mais, algumas dessas qualidades eram naturais para um ou para o outro; outras, porém, iriam exigir mais trabalho.

Extraído do Livro: Os Melhores Pais Do Mundo.

                                    Les e Leslie Parrot.