Dar sentido à vida pode ser tão simples quanto isso: tornar cada instante um momento precioso.

A história do Sr. Edouard ilustra bem essa ideia. Muito jovem, atendeu a um chamado interior e, após ter completado os estudos em teologia, partiu para a África, onde permaneceu durante mais de vinte anos.

De volta à Suíça, ficou responsável por diversas paróquias antes de se aposentar. Soube formar uma família unida e todos os seus filhos tinham uma profissão, uma família e, por sua vez, filhos.

Quando tinha oitenta anos, sua esposa morreu, deixando-o viúvo. Ele se reestabeleceu desse grande luto, sempre apoiado por sua fortíssima fé.

Quando tinha 84 anos, um acidente vascular cerebral deixou a metade da esquerda de seu corpo paralisada. Não lhe era mais possível morar sozinho. Ele teve que ser alocado numa instituição para pessoas idosas.

Infelizmente, a única cama que estava sobrando se achava num quarto com capacidade para duas. Seus filhos, um pouco nervosos, correram para a cabeceira da cama e o encontraram sorridente, sereno como de costume.

À pergunta de seu filho:

­–  Como está sendo para você papai?

Edouard respondeu com um largo sorriso:

–  Muito bem! Estou começando hoje um novo ministério!

–  Um novo ministério? – perguntou seu filho, espantado.

– É – disse Edouard -, o ministério da amizade. É incrível como há pessoas idosas aqui que estão precisando de amizade!

                Nunca saberemos até que ponto um sorriso, uma palavra ou um ato de amor realizado no instante que passa podem ser importantes para alguém que se encontrava bem ali naquela hora.

                Todo pensamento, palavra e ação são significativos, pois podem contribuir para aumentar o ódio ou a paz no universo.

Dar sentido à vida no instante que passa é também encontrar um bom equilíbrio entre lutar, brigar e aceitar, consentir.

Nunca sabemos para que podem servir as circunstâncias que se apresentam em nossa vida. Pode acontecer de “o destino” fechar algumas portas e abrir outras. Às vezes, consentir com o que acontece, mesmo quando não é o que esperávamos, é confiar na vida, nessa grande força que nos ajuda a encontrar e dar sentido ao que estamos vivendo.

Pode acontecer de a direção que acreditávamos dar à nossa vida se obscureça, que aquilo que achávamos que era nossa missão, nossa vocação, projeto essencial, objetivo não corresponda mais ao que indica a bússola interna que nos guia, ou que as circunstâncias contribuam para modificar completamente o que tínhamos em vista, como na história acima.

É nesse ponto que então que se torna imprescindível voltar ao instante, a esse instante que estou vivendo aqui e agora e que nunca mais acontecerá novamente, para lhe dar sentido e lhe imprimir todo o amor do qual sou capaz. Assim, “a vida” não é mais absurda. Ela se apresenta a cada um de nós com esse convite para ser tudo o que se pode ser enquanto indivíduo único e insubstituível num instante único e fugaz!